quarta-feira, 18 de abril de 2007

Boas lembranças e uma 'Grata surpresa'



"Escrevi alguma coisa para televisão e teatro, como colaboradora e aprendiz de uma pessoa linda, amigo do fundo do coração, o escritor, roteirista, teatrólogo e gênio, Armando Costa. Essa pessoa linda, atualmente deve estar tomando seus "hi-fis", com vodca e suco de laranja "bem coadinho, bem coadinho, bem coadinho" (sic) numa nuvenzinha, acompanhado de Vianninha e Paulo Pontes, que foram seus parceiros muito antes de o conhecer, e com outros amigos que partiram e, espero, pensando em mim de vez em quando...
Escrevi também, algumas letras de música, uma meia dúzia delas gravadas. Mas, fiquem tranqüilos, tenho quase certeza que vocês nunca ouviram, nem nunca vão ouvir, pois nunca estive e, acredito, nunca vou estar inserida dentro da mídia. Sou bicho estranho..."


Grata surpresa


Hoje acordei assim, meio barro, meio tijolo, à tarde conversei com uma amiga por telefone e comentei que a vida é, realmente, uma barra, pois tenho visto muitos documentários na GNT, Discovery e National Geographic e, a cada dia que passa, me convenço que viver é uma luta só...

Quase choro e fico deprimidésima quando vejo aquela pobre manada de elefantes se arrastar pela África a fora (ou a dentro) em busca de uma água, coitadinhos, ou então aquelas pobres focas sofredoras e sobreviventes se debatendo para escapar de tubarões medonhos e famélicos, ou ainda um pobre veadinho, apartado da manada e de sua mãezinha sendo devorado por um lindo, terrível e voraz tigre da Sibéria...

Os próprios belos e famélicos predadores vivem uma vidinha de dar dó! Sempre naquela insegurança e com o estômago colado nas costas, pobres...
A vida não é mole não! É uma luta eterna, e, quando a luta cessa só resta a carcassa...
Então, quando eles colocam uma tempestade no deserto em câmara lenta, ou um mar revolto, em fúria, e a gente percebe a nossa pequenez diante de tudo, é de chorar baldes...

E daí vem o Paulo Coelho me falar de fazer o Caminho de Santiago e coisa e tal... Ora, faça-me o favor! Não tenho nada contra ele, nem o odeio como grande parcela de gente que conheço e, ao contrário dos maldosos, li alguns de seus livro e até gostei, embora não me lembre mais do conteúdo de nenhum, mas essa história de fazer o Caminho de Santiago é coisa pra desocupado, coisa de dondoca que nunca teve um revés na vida, eu acho...
Os pobrezinhos dos bichos fazem um Caminho de Santiago eterno e, não são só os bicho, não!
Eu mesma, bicho-mulher e bicho-grilo e mais um monte de gente que conheço vivemos num Caminho de Santiago eterno, cheio de agruras, incertezas, dúvidas, sofrimentos físicos, afetivos e espirituais de responsa...
Alguns têm consciência das pedras do caminho e adquirem alguma sabedoria (sei lá pra que, mas eu gosto), outros fingem não vê-las (as pedras), e, como um antigo namorado que tive, pensa (ou quer) estar aqui só a passeio, mas isto não cabe a nós decidir nem se pode escolher, deveria perceber ele, que já coroa tinha que viver encostado na casa da mãe, ferrado e sem grana...

Então, como estava dizendo, me encontrava assim, nesse estado de ânimo meio macambúzio e bastante "inútil paisagem" quando, agora a noite, abro um e-mail do PD Literatura (Projeto Diário de Literatura) e descubro que eu, o Fred Matos e o Nel Meireles fomos escolhidos nos ESPECIAIS de novembro da Revista, olha que luxo?

Uma verdadeira gota de mel no deserto da vida! :)

Muito obrigada, Asta!



Eliane Stoducto

em Palavras Tortas, 31/10/2006

Poemas

Procura

Onde ficou meu prazer?
Procuro dentro de mim...
Ficou perdido nas mágoas,
no medo oculto,
no choro convulso.

Onde ficou meu prazer?
Procuro dentro de nós...
Ficou perdido em mentiras,
em tolas desculpas,
palavras injustas.

Onde ficou meu prazer?
Procuro entre os lençóis...
Ficou perdido na proa
de um barco à deriva
e eu parto à procura
já estou de saída...


Pressa


Vamos, baby
se apresse,
pois enquanto
você valsa,
danço reggae...
Vamos acertar o passo...
Vamos, baby!
que a orquestra
está cansada
e arrefece...
Vamos, baby!
ou me canso
e o tédio
me adormece!

Pororocas

Os prazeres do corpo
adoçam, alegram, cicatrizam.
Abaixo diques, represas!
Sinto o temporal caindo
no deserto. Secreto.
Liberando sumos.
Virando Amazonas.
Abaixo a aridez!
Meus fluidos correm livres outra vez!
Quero foz, quero delta, quero
muitas pororocas!
Quero muito! Quero mais! Do bom e do pior!
Quero aprender, crescer, evoluir
como a Mocidade na Sapucaí!
abraçando generosamente
tudo que me cabe:
o ruim e o melhor! Sem restrições.
E poder finalmente concluir
que tudo depende do ponto de vista,
que são muitos, que são mis.
Abaixo maniqueísmos! Abaixo racismos!
Vivam os quereres! E os amores! E os desamores!
Mentes míopes, empoeiradas,
hipermétropes e cansadas
pouco podem perceber!
Visão estreita. Mente estreita.
Estreito é o nosso olfato, o nosso tato.
Faixas limitadas. Limitadíssimas.
O corpo é o limite! Socorro!
Quero jogar tanto xadrez quanto porrinha.
Admirar Picasso e Nilton Bravo.
Me deliciar com adoçante, sal marinho,
fel e açúcar mascavo.
Quero amar o ateu e a freirinha.
O belo e o feinho.
E amar. E ter prazer. E transcender.
O limite...

Um comentário:

Lih Figueiredo disse...

Aiii Adelaine que ótimo esse espaço, que linda iniciativa, terá a minha presença sempre, lendo e relendo a Li que com certeza sempre falará aos nossos corações, bju linda.