segunda-feira, 16 de abril de 2007

Apresentação




A carioca Eliane Stoducto estudou no Colégio Pedro II, fez dois anos de Desenho de Arquitetura e Urbanismo, no Instituto de Belas Artes (IBA), no Parque Laje, e se graduou em História pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Recém-formada, lecionou Geografia e História e fez pesquisas no Arquivo Nacional e na Biblioteca Nacional, para o Centro de Pesquisa de História Econômica do Brasil (CEPHEB); pesquisou no Arquivo Nacional sob a orientação do professor Mircea Buescu (1977/78); foi pesquisadora-assistente no projeto Atenção à Saúde e Controle Social –1900-1940, financiado pela Fundação Ford, sob a orientação do professor Nílson do Rosário Costa (1980).
Nos anos 1980 começou a escrever letras de música e participou de alguns festivais de MPB. Classificou-se no Festival de Juiz de Fora, 1981, com três músicas (letras), e obteve o primeiro lugar com a música Fênix. No mesmo ano classificou-se em quarto lugar no Festival de Ouro Preto e, em 1986, no Festival de Muriaé.
Ainda em 1981 dirigiu o show de Aécio Flávio e Jane Duboc, no Teatro do Parque, em Recife, e no Palácio das Artes, Belo Horizonte.
Teve cinco de suas letras gravadas pelas gravadoras Polygram, 1980; Aycha, 1981; Pointer, 1982; RCA, 1982; Pointer e Polygram, 1983.
A partir de 1979, trabalhou como colaboradora do escritor e roteirista Armando Costa, parceiro e amigo, em alguns seriados para TV. Ainda com Armando Costa, fez a adaptação para teatro de O Analista de Bagé(1982) e escreveu a peça Filhos da Pátria! (1983) ainda inédita.
Em 1982 seu depoimento "Pernas pra que te quero" foi premiado e publicado pela Revista Nova.
Com o nascimento de seus dois filhos, afastou-se da vida lítero-boêmia-musical, cuidando dos meninos durante 14 anos e escrevendo crônicas e poemas.
Seu trabalho está em fóruns e sites de poesia, e mais recentemente em seus próprios sites – Cristal Poesia Prosa e Poema em Movimento – onde apresenta ainda outros poetas. Em dezembro de 1999, inaugura, com Claudia Letti, o site Letra de Corpo – Literatura e Arte, destinado a acolher obras de diversos poetas e escritores que quisessem participar e publicar seus trabalhos.
Participou da Crônica do Dia, site coletivo na Internet, como membro da Ártemis, Fórum de Mulheres, e fundou, em 1999, a Lista Literária Katarse.

* Publicações

Saciedade dos Poetas Vivos, Prazer/Volúpia (filha de Eros e Psique). 1999, da Blocos Editora, Rio de Janeiro.
I Antologia Nau Literária. 1999, Editora Komedi, Campinas.
Antologia dos Poetas Internautas. 1999, Editora Blocos, Rio de Janeiro.

* Letras de músicas (gravadas)

"Menino", parceria com Aécio Flávio, gravação Aécio Flávio, Polygram, 1980.
"Menino", parceria com Aécio Flávio, gravação Jane Duboc, Aycha, 1981.
"Tenta", em parceria com Irinéa Maria, gravação Rosa Maria, Pointer, 1982.
"Seu filho, seu amigo", parceria com Aécio Flávio, gravação Oscar Henriques, RCA, 1982.
"Quem tem telhado de vidro está sempre bronzeado", c/Aécio Flávio, gravação Célia, Pointer, 1983.
"Bonde pra não sei pra onde", c/Aécio Flávio, gravação Marcos Sabino, Polygram, 1983.

* Teatro

Adaptação para teatro da peça O Analista de Bagé (1982), de Luis Fernando Veríssimo, em parceria com o roteirista e teatrólogo Armando Costa.
Peça teatral Filhos da Pátria! (1983), com Armando Costa (inédita).



Poemas

Espelho

Quem é essa dona
que a imagem reflete
e que me contempla
no espelho do lago?
É fada? Demônio?
É viva? É morta?
Será que é miragem?
Concreta, palpável?
Ou inacessível?

Quem é essa peça
tão indefinível
de quem visto a pele
e habito a carcaça?

6 comentários:

adelaide amorim disse...

Sejam bem-vindos, amigos!
Com ou sem comentários, serão muito queridas as visitas a este blog.
A idéia de reunir numa página o trabalho de Eliane partiu de Maju Costa e de mim, como um modo de preservar e manter ainda mais viva a obra de nossa querida Li na Internet.

Saramar disse...

Como ela sempre estará entre nós, eu creio que esta é a mais perfeita homenagem de respeito e amor à mulher, poeta, musa e mestra.

* Eli - n' um dia mais * disse...

Excelente, Adelaide!

Gratíssima por me ter avisado.

Comentando ou não, de certeza que

irei passando.

Meu beijo.

Maju Costa disse...

"Carne de pescoço


Gosto dos malucos, doidos, desgraçados
exagerados, tristes, apaixonados
que praticam um suicídio tão diário
por sentirem tanta sede e gana de viver

Gosto dos que crêem na própria insanidade
por saberem-se humanos, limitados, miseráveis
e com isto exercitam a humildade
conscientes de estarem aprisionados
nesta pobre casca humana até morrer

Não gosto de ares de superioridade
(os parâmetros são tênues e precários!)
não concedo a ninguém autoridade
– Oh, esses deuses e deusas sectários –
pontificando sobre a vida e o que fazer

Pois na minha prisão de carne e osso
sou única, sou livre, sou colosso
sou meu anjo e meu algoz, fora-da-lei
sou coisa feita e carne de pescoço."

... mas para nós, seus amigos, você era sobretudo um frágil mas resplandecente CRISTAL que permanecerá sempre reluzindo e emocionando.

Maju Costa

soledade disse...

É uma ideia excelente, Adelaide. Que se erga um monumento de palavras - em reconhecimento, respeito e ternura pela memória da Eliane. De tudo isto a lembrança é feita.

Meraluz disse...

Simplesmente inesquecível.

Dona Li, quem lhe autorizou a sair de cena desta maneira??
Eu me sinto assim meio órfã, de você e de suas palavras - Retas, Tortas ou em Desalinho.

Uma bela e justa homenagem a que este blog presta à nossa tão querida Eliane.